newsletter #30
DONA FIRMINA NÃO AGUENTA MAIS LISTAS
Entrou dezembro eu já me preparo pra visita de Dona Firmina. Ela passa o ano todo com o rádio ligado, atenta a todos os lançamentos musicais, com um bloquinho de notas na mão e um lápis atrás da orelha. Quando o ano se encaminha pro fim, ela faz lá umas contas cuja lógica desconheço e me entrega numa folha de papel quadriculado a lista dos seus 10 álbuns preferidos. Cinco brasileiros e cinco portugueses. Mas esse ano foi diferente. Eu abri a lista e tinham 16. Eu perguntei “mas D. Firmina, nossa lista não sempre foi de 10 discos?”, ao que ela respondeu com a sua palavra favorita:
— Caguei.

Dona Firmina, Sr. Josep & Presidente Lula curtindo um som
Jogou a culpa nos seus amigos, o Sr. Josep e o Presidente Lula, que esse ano insistiram em participar na brincadeira também, mas no final não conseguiram chegar a um consenso sobre quais álbuns deixar de fora. Eu insisti que eles pelo menos me dissessem qual o favorito de cada país. “Isso é fácil”, disse ela. Então passo agora à lista que me foi transmitida:
Dó Dói Proibido, da Femme Falafel foi eleito por todos o disco português preferido de 2025. Dona Firmina amou. Disse que um dia vai fazer a receita dela de pudim flan pra menina provar. Mas ela também diz que gostou muito do Um Gelado Antes do Fim do Mundo da Capicua; do Ferry Gold d’A Garota Não; do Vol. 2 dos Cordel (“aquele menino que canta é um pão!”); do era com h dos Lavoisier; e também do Salvador Sobral cantando com “aquela Amália espanhola” que ela não se lembrava o nome, mas que eu concluí se tratar da Sílvia Pérez Cruz.
E entre os brasileiros? Aí foi que a lista descambou. Fica o AVIA da Josyara, ou O Mar é Mulher da Joyce Moreno? Fica o AFIM do Zé Ibarra, ou o Varanda dos Palpites do Joaquim? O Máquina de Fazer Festa do Siba, ou o 10 Gramas do Edgar? Só havia espaço pra um, e no final entraram todos. Mas tirando esses, quatro discos aparentemente foram um consenso geral:
- Dominguinho do João Gomes, Mestrinho e Jota.pê
- Branco do Douglas Germano
- Rock Doido da Gaby Amarantos
Agora o incontestável favorito de todos foi uma feliz surpresa pra mim. Não ouvi assim muita gente comentando dele, mas Dona Firmina está sempre ligadíssima e não deixou passar: big buraco da Jadsa. Já ouviram? Não? Então vão lá, e depois agradeçam a ela.
ANTES QUE EU ME ESQUEÇA📍
Esse era pra ser um mês de descanso e fôlego pro lançamento d’O Homem Triste em janeiro. Era, mas deixou de ser desde que me chegou um convite que não se vê todo dia. Imaginem só a proposta: receber 10 livros para ler e depois fazer uma música inédita para cada um deles… em um mês! Foi essa a ideia do Prêmio Oceanos, cuja cerimônia acontece no dia 9 em São Paulo. E eu topei ou não topei? Apareçam lá na Biblioteca Mário de Andrade pra ver. Não sei o que os dez finalistas do prêmio vão achar do resultado, mas a aventura foi boa! E depois, volto a Lisboa a tempo de falar e cantar um pouco do Samba de Guerrilha na incrível exposição que está agora na Gulbenkian, Complexo Brasil. Falando em samba, é nele que o ano acaba, com a Orquestra Bamba Social, em Aveiro.
🇧🇷 SÃO PAULO — dia 9/12: Prêmio Oceanos – Biblioteca Mário de Andrade – ENTRADA LIVRE
🇵🇹 LISBOA — dia 7/12: Complexo Brasil – Calouste Gulbenkian / 18h30 – RESERVAS
🇵🇹 AVEIRO — dia 31/12: com Orquestra Bamba Social – (detalhes a anunciar)
NA ESCUTA, CÂMBIO 📡
Essa última parte da newsletter é uma maravilha, graças a vocês. Por exemplo, no mês passado recebi por aqui uma mensagem da Daniela contando uma outra história incrível da época do PREC, sobre uma manifestação feminista que estava marcada para janeiro de 75 em Lisboa, e acabou não só boicotada pela esquerda, mas também dispersa sob as ameaças de uma horda de homens inconformados (e possivelmente muito tristes, diria eu). Obrigado, Daniela!
E para este mês não espero menos do que muitas reclamações indignadas sobre álbuns que D. Firmina teimosamente deixou de fora da lista de 2025. Basta apertar o botão abaixo e soltar o verbo.
https://forms.gle/UTJGGk2FiY4UiTWp6
Bom ano novo, pessoal!
Nos vemos em 2026!
